

Cavilações
às vezes penso que sou bobo demais me apiedo dos monstros pondero sobre as angústias das pedras considero o conselho do pólen que se demora a se assentar no pó de outras sementes prementes das respostas que eu não sei dar. às vezes conjecturo que o tempo é io-io-iô nem passado, nem futuro apenas nossas indas e vindas desordenadas memórias aflições que hão de vir às vezes concluo que poetas não batem bem da cachola inventam remédios pras dores que não sabem explicar e as dores


Slovíada
A escrita é a testemunha dos passos do Homem e, por esse atributo, é deixado ao julgamento da posteridade o conteúdo desse caso entre os pólos da vida. Eis a carta. Você, leitor dessa carta, servirá como pessoa incumbida de fazer dessa verdade anunciada a profecia futura. Não será sua tarefa julgar o médico ou o escritor, mas incorporá-los ao tecido da condição humana. Neste fim de século certamente você tem visto o Homem debruçar-se sobre o próprio Homem, na il


Ícone
Quando eu era criança, gostava de observar as formigas (re)construírem suas casas. Após forte chuva, pisada acidental ou, mesmo, o desabamento natural daqueles pequenos torrões de terra. Uma ou outra vez, via a formiguinha tentando levar uma folha ou uma pedra dcscomunal. Após um inconcebível esforço solitário, vinha outras tentar ajudar a companheira. Quase sempre esse esforço comunitário resolvia o problema e eu me dedicava em ver aquele objeto desproporcional entrar com mu


Medi(a)ções
Nos labirintos do centro de Buenos Aires me deparei com uma galeria. A maioria das lojas fechadas, como se fosse um depósito de coisas antigas e empoeiradas. Na última delas, havia uma espécie de antiquário, com as paredes repletas de variados relógios. Entrei, curioso. Mário, o dono, saudou-me com a musicalidade de um castelhano portenho, meio italianado. Com meu sôfrego portunhol, tentei responder à amabilidade. Por fim, perguntei pela razão de tantos relógios. Se eles aind


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